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quarta-feira, 27 de abril de 2022

Especial Líbano – Episódio 3: Os Vinhos e o Arak do Líbano (2018)

 Especial para o Portal Sabor a Vida Gastronomia (2018)




Na postagem anterior relatei sobre as delícias de Baalbek no Vale do Beca e não foram só as esfihas e os pães que encontrei por lá, mas também os vinhos.

Com terras abundantes para a agricultura, as videiras permeiam entre a paisagem dos caminhos percorridos. A produção de vinhos é uma das mais antigas da história da humanidade e graças aos fenícios e suas trocas com outros povos mediterrâneos, hoje o Líbano fabrica um dos melhores vinhos do mundo.

Acredita-se que quando Jesus Cristo fez seu primeiro milagre, transformando água em vinho nas Bodas de Canaã, tenha ocorrido na Antiga Cananéia, ao sul do país.

Existem outras vinícolas menores, mas as mais conhecidas são as da região do Vale do Beca e tem um terroir muito especifico que imprime nos vinhos uma elegância e caráter ímpares, complexidade, equilíbrio, acidez, tanicidade e alta mineralidade.

Especial Líbano - Episódio 3: Os Vinhos e o Arak do Líbano

As montanhas protegem contra as chuvas e os ventos quentes os parreirais e chegam atingir em torno de 1000 metros de altitude. De um lado a cordilheira Antilíbano a leste e do outro a cordilheira Montanhas do Líbano a oeste. Seu solo tem formação calcária, argilosa e sempre pedregoso. O clima também é um dos maiores responsáveis pela qualidade dos vinhos, com verões quentes e secos, e invernos com chuvas moderadas.

O país tem entorno de 60% de muçulmanos que por questões religiosas não consomem álcool. Por esta razão, o Líbano é um dos países que menos consomem vinhos no mundo. Todavia, seus vinhos são exportados para a França, Estados Unidos, Inglaterra e outros tantos países.

Nossa parada foi o Château Ksara que faz parte da história do país.

Tudo começou com monges jesuítas em 1857 para a produção de vinhos para os ritos religiosos e em 1973 a propriedade foi vendida para empresários libaneses que procuram manter a tradição da empresa e exportam seus vinhos para cerca de 30 países (inclusive para o Brasil). É a vinícola mais antiga do país e a primeira a produzir vinhos secos.

A adega é repleta de história e possui uma cava subterrânea de 2 km que remonta o tempo do Império Romano, segundo a guia ela foi encontrada por acaso. Um animal caiu acidentalmente em um buraco e a partir daí descobriram a imensa cave, onde até hoje armazenam suas garrafas, e nos tempos de guerra ela foi utilizada como abrigo.

Além do vinho, outra bebida produzida com uvas no país é o Arak. Um delicioso destilado de uvas e aromatizado com anis produzidos com as uvas autóctones (próprias do país) Merweh e Obaideh.

O arak é a bebida do dia a dia do libanês. Com 53% de teor alcoólico, muito aromática e elegante. Não é consumida pura e quando adicionada água ou gelo se torna leitosa, sendo assim também chamada de leite dos leões ou leite de camelo.

Essa mudança ocorre, graças ao óleo da semente de anis, que é utilizado para fornecer o sabor característico da bebida. Quando adicionado a água a bebida forma gotículas que dão origem à cor branca, já que ele só se dilui em álcool.

A partir dela surgiu um termo muito conhecido no Brasil, o “de araque” ligado aos mentirosos.

Segundo informações do site Brasil Escola a bebida foi trazida ao Brasil pelos imigrantes árabes de origem não muçulmana, essa bebida logo foi conhecida pelo seu potencial em causar uma grande sensação de embriaguez. Como todos sabem, o bebum, além de deixar escapar muitas verdades, também confessa o seu estado tétrico quando começa a falar uma série de histórias “de araque”. E foi dessa forma que, a partir do aportuguesamento do termo “arak”, que a expressão aqui explicada, saiu dos copos para incorporar-se à linguagem usual.

Ao verificar a inesperada origem árabe do termo “de araque”, comprovamos a existência do grande mosaico que figura a cultura brasileira. Além de negros, índios e brancos, temos uma outra leva de civilizações que trouxeram consigo hábitos que determinam a construção dos nossos costumes.

Mas voltando ao Líbano e ao Château Ksara, seus vinhos são premiados no mundo todo e a adega recebe mais de 70 mil turistas por ano. Outras variedades de uvas que utilizam nas produções dos vinhos são: Cabernet Sauvignon, Syrah, Merlot, Mourvèdre, Caladoc, Marselan, Sémillon, Chardonnay e Clairette and Sauvignon.

Confesso que conheço muitas vinícolas no Brasil e no mundo, mas foi surpreendente cada momento desta visita.

E assim continuamos nossos dias pelo Líbano, já com o coração repleto de saudades e vontade de retornar em breve.

Um brinde ao povo libanês, a história do Líbano e a você leitor!!!

Conheça mais sobre a vinícola, acessando: www.chateauksara.com.

Fonte: Brasil Escola



Especial Líbano – Episódio 2: As ruínas e as delícias de Baalbek (2018)

 * Especial feito para o Portal Sabor a Vida Gastronomia (2018)




São sete horas da manhã e o relógio desperta. Confesso que não via a hora de acordar para viver o que estava planejado para aquele dia!

Ficamos hospedados no Hotel Plaza em um bairro muito Cult de Beirute chamado Hamra, que logo terá seu próprio episódio. O café da manhã repleto de comidas típicas, café brasileiro (sim, nosso café está por lá) e a música ambiente muitas vezes também, Vanessa da Mata e a bossa nova estão ali.

A maior colônia libanesa fora do Líbano é aqui no Brasil, então dizer que o Brasil vive no Líbano e vice versa não é novidade. Mas, vamos ao que interessa, as ruínas e as delícias de Baalbek!!!

Especial Líbano - Episódio 2: As ruínas e as delícias de Baalbek

Dentre as diversidades do país estão os famosos sítios arqueológicos. A primeira parada é em Anja, localizada no Vale do Beca (é um dos lugares no Líbano com população de brasileiros e descendentes) com suas ruínas históricas construídas no início do século VIII que é patrimônio mundial da UNESCO desde 1984. Localizada na rota de Damasco e Baalbek é um importante centro comercial e tem lindas jóias de prata.

O lugar é incrível e como já disse anteriormente o Líbano é a história viva da humanidade. Caminhando pelas ruínas, entre as construções com a linda montanha coberta por neve ao fundo é único e inspirador,  sem contar que as ruínas estão no meio de uma terra agrícola bem valorizada aonde se planta batata, trigo, beterraba branca, e as uvas, que se transformam nos vinhos de alta qualidade existentes no Líbano, as melhores vinícolas libanesas, estão localizadas no vale. Observem a foto com a sacola nos pés. Tem um motivo: a neve dos dias anteriores com o chão de terra poderiam dificultar o caminho, mas isso pouco importou para mim e meu irmão Saulo.

Este foi só o começo, seguimos a caminho de Baalbek. Quando perguntar qual é a esfiha mais famosa do país, a resposta é a de Baalbek.

Veja abaixo o vídeo com a produção de pães… é espetacular!





Voltando às ruínas da cidade, é fabuloso as construções romanas para honrar os deuses pagãos como Júpiter e Baco (sim, o Deus do vinho estava por lá). Ali antigamente era uma região habitada pelos fenícios e posteriormente o imperador Augusto com os romanos conquistaram o local, por isso a marca da cultura romana tão forte.

O dia estava ensolarado e isso possibilitou abrilhantar ainda mais os registros para dividir com vocês. Este também é um patrimônio da humanidade pela UNESCO.

Outro patrimônio muito conhecido é a esfiha, mas comer iguais as de Baalbek jamais. Feitas na hora, a massa é leve e muito saborosa; o recheio de carne, tomate, cebola e canela proporcionam um sabor único e rico. Um detalhe interessante é que na cidade as esfihas não são fechadas e sim abertas, mas de maneira diferente da nossa aqui no Brasil. Um preparo tão simples e ao mesmo tempo conquista qualquer estômago, acompanhado de homus, kafta e pão árabe, a mesa está completa.

Por falar em pães, como dito anteriormente, vocês verão no vídeo que os pães árabes redondos e chatos são os grandes acompanhamentos das refeições. O consumo de pães está associado a produção de trigo e a história da civilização, entre os rios Tigre e Eufrates, hoje o Iraque, eram cultivados trigo, cevada, figo e outras frutas como nozes e pistaches, além dos carneiros e cabras, a partir disso nem é preciso dizer que a comida libanesa é ancestral.

Os libaneses amam comida. As mesas são fartas e em um banquete típico árabe começa com uma seleção de mezzés, que são vários tipos de entradas como quibes, babaganuche, homus, tabule, charutinhos, azeitonas, pepinos e outras tantas delícias. O interessante é destacar que todos são servidos ao mesmo tempo e se você for convidado para tal banquete, ser educado é experimentar tudo!!!

Não vai ser difícil. No próximo episódio seguimos a rota do vinho e vamos conhecer uma das vinícolas mais encantadoras  do caminho.

Abraço a todos e viva o Líbano!


Fonte: https://www.saboravida.com.br/gastronomia/2018/01/22/especial-libano-episodio-2-as-ruinas-e-as-delicias-de-baalbek/










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